O Brasil está prestes a colher a maior safra de café arábica em cinco anos. Depois de ciclos mais fracos, os números de 2026/27 mudam de figura, e isso já está pesando no preço da commodity nas bolsas.
O que os dados mostram
Segundo o relatório Coffee Annual do USDA, divulgado em 4 de junho de 2026, a produção brasileira de arábica deve chegar a 47,5 milhões de sacas de 60kg, um salto de 25% sobre o ciclo anterior e o fim de cinco anos de produção mais fraca. Somada ao robusta, a safra total do país é estimada em 71,9 milhões de sacas.
A consultoria Hedgepoint já projetava, em fevereiro, uma faixa entre 46,5 e 49 milhões de sacas de arábica para 2026/27: direção parecida, ainda que com metodologia própria. Pra dar dimensão da virada, a safra 2025/26 havia fechado em 35,8 milhões de sacas, 9,7% abaixo de 2024.
E o preço, cai quanto?
Em abril de 2026, a saca de arábica no Brasil já custava em média R$ 1.811,87, uma queda de 28% sobre o mesmo mês do ano anterior, segundo o USDA. Uma pesquisa da Reuters com 11 analistas e corretoras, publicada em 24 de agosto, prevê queda adicional de 8,8% até o fim do ano, levando o preço a cerca de US$ 3,00 por libra-peso, ante US$ 3,293 no fechamento anterior à pesquisa.
O principal fator de risco pro cenário é climático, não de mercado: o El Niño pode afetar a fase de floração da safra seguinte, a de 2027/28. É uma incerteza que pesa sobre o futuro, não sobre a colheita que já está em andamento.
Safra recorde não é sinônimo de café mais barato pra todo mundo
Vale uma ressalva antes de comemorar. Preço de commodity caindo na bolsa não significa, automaticamente, café mais barato na prateleira ou na xícara. E nem todo produtor sente esse movimento do mesmo jeito: quem já vendeu a safra adiantado, ou quem depende mais do mercado interno do que da exportação, vive um cenário diferente de quem está posicionado pra vender agora.
É por isso que, na Arbor, o preço do café que chega até você não segue direto o gráfico da bolsa. A torrefação é própria desde 2015, e cada lote passa por avaliação sensorial com pontuação da SCA antes de virar parte do Clube ou da linha de venda direta. A decisão de qual café entra na xícara vem da nota de cupping, não da cotação do dia.
O que fica pra quem assina
Na prática, isso significa uma coisa simples pra quem assina o Clube ou compra os cafés da Arbor: a qualidade do que chega todo mês não sobe e desce junto com o preço do café em Nova York. O que muda é o tamanho da safra brasileira em 2026/27, e vale acompanhar, porque uma decisão desse porte no maior produtor do mundo sempre reverbera no médio prazo, pra toda a cadeia do café.
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