“Café gourmet” é um dos termos mais usados e mais mal compreendidos nas prateleiras de supermercado. Muita gente assume que gourmet e especial são sinônimos. Não são, e a diferença está nos critérios por trás de cada selo.
Café gourmet: a classificação da ABIC
A Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) usa uma escala própria de 0 a 10 pra classificar cafés em três faixas: Tradicional (4,5 a 6 pontos, podendo ter até 20% de grãos defeituosos no blend), Superior (6 a 7,3 pontos, até 10% de defeito) e Gourmet (7,3 a 10 pontos, zero grão defeituoso e 100% arábica). É, basicamente, um selo de pureza e ausência de defeito.
Café especial: a pontuação SCA
Já a classificação de café especial usa a escala internacional da SCA (Specialty Coffee Association), numa pontuação de 0 a 100 avaliada por cupping profissional. Pra ser considerado especial, o café precisa atingir 80 pontos ou mais nessa escala, que avalia muito mais que ausência de defeito: aroma, sabor, acidez, corpo, doçura, uniformidade e impressão geral.
Por que isso importa na hora de escolher
Um café pode ser gourmet pela ABIC, zero defeito, 100% arábica, sem necessariamente atingir 80 pontos SCA, porque a escala brasileira não avalia perfil sensorial com o mesmo nível de detalhe. Um selo gourmet garante pureza, mas não garante, sozinho, a complexidade sensorial que define um café especial de verdade.
Na hora de escolher, vale olhar além do rótulo: pureza é importante, mas pontuação sensorial é o que de fato separa uma xícara comum de uma xícara memorável.