Da Ilha para a Xícara
Tem um momento específico em que você percebe que algo mudou no café brasileiro. Não é um anúncio, não é uma campanha. É quando você entra numa cafeteria, pede um filtrado e o barista te pergunta de onde vem o grão, qual é o perfil de torra, se você prefere notas mais frutadas ou achocolatadas.
Esse momento, para muita gente, foi uma revelação.
Para Paulo, Simone e Fernando, foi o começo de tudo.
São Paulo ficou para trás
Em 2014, os três dividiam algo além da amizade: o cansaço. Cansaço do trânsito, da rotina pesada, do ritmo sem pausa que São Paulo cobra como imposto. Paulo trabalhava como diretor de arte. Simone, na área de pricing de uma grande varejista. Fernando já tinha saído na frente e se mudado para Florianópolis, após trabalhar anos na área de TI num dos maiores bancos do país.
A pergunta que os três estavam se fazendo era a mesma: dá para construir algo com mais sentido?
A resposta começou a tomar forma quando perceberam que queriam um negócio que conectasse pequenos produtores e empresas familiares a consumidores que se importassem com o que estavam consumindo. Um negócio com cadeia curta, com rosto, com história. Começaram a estudar possibilidades e, no meio desse processo, encontraram o café.
O mercado que ainda engatinhava
Em 2014, o café especial no Brasil era um nicho de nicho. Existiam pioneiros e pouquíssimos lugares onde estudar de verdade. Os três foram atrás desses lugares. Fizeram cursos no CoffeeLab, referência mundial no ensino de café. Estudaram com o Sindicafé e com Ensei Neto, um dos maiores especialistas do país.
Foi nesse processo que descobriram o que o café pode ser quando tratado com seriedade. Grãos com pontuação SCA acima de 80 pontos. Produções rastreáveis. Torras desenvolvidas para realçar o que cada origem tem de único.
Em 2015, foram aos Estados Unidos ver o que um mercado maduro de terceira onda parecia. Visitaram a Intelligentsia, a Blue Bottle, a Stumptown, a Anchor Head. Entenderam como uma torrefação funciona como negócio, como uma cafeteria de especialidade cria experiência, como tudo aquilo poderia ser traduzido para Florianópolis.
Voltaram com referências e com uma convicção.
A loja que Floripa não tinha visto
Em 2016, depois de uma grande reforma, a Arbor abriu as portas. A proposta era diferente do que existia: arquitetura industrial e urbana, bem longe do café tradicional que a cidade conhecia até então. O cardápio tinha foco total no café, especialmente no filtrado. Todo mês, grãos diferentes. Toda semana, uma conversa nova sobre origem, processo, torra.
A cidade respondeu. Ao longo dos anos, a Arbor foi reconhecida em diversas mídias, desde TV a revistas do ramo de aruitetura, gastronomia e mídias especializadas como a Revista Espresso e PDG ( Perfect Daily Grind) por ser referência em café de qualidade, algo que até hoje se reflete na avaliação do Google.
A decisão que mudou tudo
Operar uma cafeteria grande e uma torrefação no mesmo espaço, ao mesmo tempo, é uma equação difícil. As operações puxam em direções diferentes. A logística compete, fluxo de caixa, gestão. A atenção se divide.
Com a pandemia reviram o plano de expansão e fecharam a segunda unidade localizada na SC401 no Square Corporate.
Em 2023, os três tomaram uma decisão que parecia radical mas fazia todo sentido: fecharam a cafeteria para se dedicar inteiramente à torra.
Havia ainda outro fator, mais humano. Fernando e Caroline já tinham dois filhos. Paulo e Simone esperavam o segundo. A vida estava pedindo outro ritmo, e o negócio precisava acompanhar.
Focar só na torrefação não era um recuo. Era uma aposta e necessidade do momento.
O que a torra revela
Quando você tira o ruído da operação de cafeteria, o que sobra é tempo e atenção para o que realmente queremos focar: o café.
AArbor torra com abordagem técnica e científica, após inúmeros cursos com os maiores nomes no país. Testamos mais origens, desenvolvemos mais perfis, trabalhamos com cafés que há alguns anos seriam impossíveis de encontrar no mercado local. Temos na linha cafés com 90 pontos SCA produzidos em sistema agroflorestal e cafés premiados em concursos nacionais.
A torra é onde tudo se transforma, onde ressaltamos aquilo que o produtor se dedicou a cultivar. É onde um grão verde vira a bebida que você vai provar amanhã cedo e é onde nossa obsessão e paixão pelo café encontra seu espaço.
Hoje a ARBOR fornece para cafeterias, padarias e restaurantes que compartilham o mesmo compromisso com qualidade, experiência em criar parcerias com outras pequenas empresas e criar um merrcado forte e duradouro.
Outro serviço é a parte de consultorias para quem quer levar o café a sério. E ainda existe o ecommerce com os cafés torrados na semana e o Clube de Assinatura, onde todo mês você recebe em casa o que há de melhor saindo das nossas torras.
A ARBOR torra para quem se importa com o que está na xícara.
Hoje é possível torrar cerca de 90kg por dia, algo que seria impensável com a rotina dentro da cafeteria.
Quem sabe num futuro próximo não exista uma nova cafeteria da marca.